domingo, 4 de outubro de 2009

Anistia da Catalunha em defesa dos direitos humanos da Colômbia!

Tenho em geral muita desconfiança das ditas Organizações Não-Governamentais, por muitos motivos: muitas são meras entidades assistencialistas; são um fosso sem fundo de corrupção e drenagem de recursos públicos (quem se interessar pelo tema deve ver o filme "Quanto Vale ou é por quilo?"); muitos foram estimulados pela direita, como forma de desviar as pessoas bem intencionados das lutas sociais que de fato podem resolver os problemas; a grande maioria tem por trás governos de de grandes potências e organismos dito "multilaterais", como FMI e Banco Mundial, e estão à serviço do neoliberalismo e suas políticas compensatórias. No entanto, algumas de fato se convertem, apesar do nome, em verdadeiros movimentos sociais, a quem respeito. Um exemplo disso é a Anistia Internacional. Com a ressalva óbvia que, em vários momentos, só denunciam certos países e não outros, dependendo de interesses políticos. No caso brasileiro, o ponto mais baixo a que chegou foi na época do debate da anistia no Brasil: ela foi contra a campanha de anistia ampla, geral e irrestrita, ficando do lado da posição da ditadura, que queria anistiar os torturadores e apenas os prisioneiros de crime de consciência (que apenas se colocaram contra a ditadura por palavras), retirando da anistia aqueles lutadores da liberdade, que para derrubar a ditadura pegaram em armas, quando não lhes restou outra alternativa.

No entanto, é preciso destacar uma atividade da seção catalã da Anistia Internacional, realizada ontem às 11 horas na praça da Catedral de Barcelona. Era em defesa dos direitos humanos na Colômbia. Esse alerta a perseguição aos defensores dos direitos humanos nesse país sul-americano, feita em ação ou por omissão pelo Estado colombiano precisa ser denunciada, não só na Catalunya, no Brasil, mas em todo o mundo. Não por acaso esse país é o maior aliado nos EUA na região, e está prestes a instalar cinco bases norte-americanas, com a desculpa do combate ao narcotráfico. De fato, isso é uma grande mentira: ninguém para combater o narcotráfico precisa construir uma pista gigantesca de vôo que permitirá unidades armadas, com tanques e soldados aterrisarem rapidamente. A desculpa do combate ao narcotráfico é a variante local para a política de combate ao terrorismo que é usada no mundo todo para combater, reprimir e esmagar os oponentes do sistema.

O problema é tão grave na Colômbia, que nos últimos 30 anos foram assassinados, só de dirigentes sindicais, 5000. Uma geração inteira de dirigentes sindicais. Afora os camponeses e outros lutadores sociais. O Estado corrupto colombiano é ligado tanto ao narcotráfico, como aos paramilitares fascistas, que dizimam a população. No entanto, a grande imprensa mundial, dirigida por algumas poucas agências de notícias internacionais ligadas às grandes potências, tipifica as FARC como organizações terrorista narcotraficante. De fato, na guerra civil colombiana, ninguém é santo. Até porquê, não existem santos. Mas, se as FARC de fato não são tão progressistas como algumas organizações de esquerda defendem, tendo um programa para o país não socialista, muito parceido com o do PT brasileiro, de inserção soberana na globalização, apenas com um método distinto, fruto da realidade colombiana, eles não são uma narcoguerrilha. Eles não plantam, traficam ou vendem armas para traficantes. Eles apenas cobram impostos sobre os produtores. Quem estimula o narcotráfico é os EUA que são os grandes consumidores da droga produzida nesse país, e que, junto ao Estado colombiano, não criam condições para a população viver de qualquer outra coisa. Além dos políticos colombianos que estão ligados ao narcotráfico, como já disse.

A anistia de Catalunya está de parabéns pelo ato! Abaixo o cartaz de convocação do ato (para ampliar, é só clicar).



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