Hoje é o dia 11 de setembro. Para a maioria dos trabalhadores em todo o mundo, bombardeado pela grande imprensa internacional, devem associar essa data ao 11 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas de Nova Iorque foram derrubadas por um ataque terrorista, vitimando quase três mil. Além do ataque ao pentágono. Pois, bem, esse ataque foi importante realmente na história. Mas, esse não foi o único 11 de setembro importante da história. Na Catalunya, essa data têm um outro significado, que quero aqui divulgar. Antes, passemos brevemente em revista outros dois 11 de setembro: o de 2001 e o de 1973.
No 11 de setembro já citado, acusou-se a rede terrorista Al-Quaeda pela autoria dos atentados. Não tenho certeza de que realmente foram eles. Mais ainda: não sei ao certo se eles não estavam a serviço do governo, pois vários de seus membros foram agentes da cIA contra a URSS, durante a guerra do afeganistão. E, forma a desculpa para que os EUA invadissem esse país, atrás do petróleo e gás que passam por lá, como das papoulas plantada lá, base do lucrativo negócio do ópio e heroína. E, no Iraque, fazem ataques sectários que só serviram para favorecer aos EUA, dividindo a luta contra a invasão americana. Foram usados também, para que o ex-presidente Aznar (aliado dos norte-americanos) atacasse a ETA e tentasse emplacar sua vitória eleitoral, a partir dos ataques do 11 de março no metrô de Madri (manobra que deu errado). Mas, que serviu nos EUA para ampliar a repressão interna e o desrespeito as liberdades civis. Interessante notar que o ataque teve caráter de classe: na hora do ataque só estavam no prédio trabalhadores, quase nenhum executivo de uma grande empresa.

Já no dia 11 de setemrbo de 1973, com um saldo de milhares de mortos e a conversão do Estádio Nacional num campo de concentração, ocorreu o golpe de estado contra o governo do socialista Salvador Allende no Chile. Capitaneado pelo general Pinochet, teve apoio ativo da embaixada norte-americano. O resultado final dessa ação imperialista: uma ditadura sangrenta, que destruiu as conquistas sociais e implementou o neoliberalismo até as últimas conseqüências no Chile.
Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador
Allende, em 1964. (Fonte: Wikipedia).
Mas, o 11 de se
tembro que nos interessa aqui é outro: o 11 de setembro de 1714, quando as tropas expansionistas bourbônicas destruíram a indepenência catalã, a incluindo à força no Estado Espanhol. Como a história é escrita pelos vencedores, o dia 11 de setembro é um dia im
portantíssimo de lembrança desse ataque à liberdade de um povo. Curiosamente, no Brasil, como me chamou atenção meu amigo Dirley, a reescrita da história foi incorporada nos nossos livros didáticos, onde nos mapas e na história, apresenta-se a Espanha unificada à muito mais tempo, e não se menciona esse ato de subjugação. Apaga-se por exemplo a longíqua história do Reino da Catalunya-Aragão. Releitura da história, que no mesmo sentido apagou a Revolução Espanhola nos marcos da Guerra Civil Espanhola. (ao lado esquerdo gravura do cerco militar de barcelona pelas tropas franco-castelhanas de Felipe V (março 1713 e setembro de 1714). Fonte: Catalonia; a direita, cartaz do 11 de setembro da época da Guerra Civil Espanhola).
A história do 11 de setembro:
Com a Guerra de Sucessão Espanhola, a partir da morte sem descendência de Carlos II da Espanha, deu lugar a uma guerra civil na Espanha entre os partidários do austríaco Arquiduque Carlos e Felipe de Anjou (Felipe V, de España), a partir da assinatura do Tratado de Utretch que reconhecia a Felipe de Anjou como Rei de España. A Coroa do Reino de Aragão não aceitou os termos do tratado, pois em fevereiro de 1706 se havia coroado o Arquiduque Carlos em Barcelona como Carlos III da Espanha. Por isso se prestou resistência ao novo monarca, que respondeu atacando em 1713.
Em março de 1713 as tropas de Felipe V iniciaram o cerco à cidade de Barcelona. A Catalunha, ficou reduzida a duas áreas fortificadas: Barcelona e Cardona. Nessa situação desesperadora, em meados de 1713 foram convocados os “Braços Generals” (as Cortes sem o rei) para tomar uma decisão: render-se ou não.
Os braços militar-eclesiástico e os deputados da Generalitat (governo catalão), defendem a capitulação usando como justificativa a desproporção entre as forças catalãs (já sem as tropas da Grande Aliança) e as bourbonicas de Felipe V. Desta forma, desde o início do processo de domínio de castela sobre a catalunha, as elites catalães sempre foram capituladoras.Já o braço popular mostrou seu caráter combativo: votou pela resistência. Sendo assim, a Generalitat, fez um chamamento público para a defesa da cidade.
O cerco foi iniciado pelo duque de Berwick, general francês, imposto por Luis XIV (o "Rei Sol" francês) ao seu neto, Felipe V. O general Antoni de Villaroel estavam à frente das tropas catalãs.
A Catalunha via em Felipe V, corretamente, que este seria a instauração definitiva do absolutismo e do centralismo em todos os territórios conquistados. O cerco a Barcelona é visto por contemporâneos como a agressão à um povo que havia feito da liberdade o fundamento das suas instituições. Escritores da época descrevem a defesa de Barcelona como um gesto heróico admirado em toda a Europa, como séculos depois seria a defesa de Barcelona frente outras tropas absolutistas, agora fascistas, de Francisco Franco.
Dezoito meses de cerco e de lutas ferrenhas levaram a a capitulação um ano depois, em 11 de setembro de 1714: os defensores mais destacados de Barcelona, Rafael Casanova, conselheiro chefe do Conselho da cidade, e o general Antoni de Villaroel, comandante supremo das forças militares, quiseram poupar uma derrota completa da cidade e dos seus defensores. Ao lado, quadro de Antoni Estruch Lonze de setembre de 1714 (Fonte: blog falaescreve).
Em 15 de setembro de 1714, o Duque de Berwick assinou a nomeação da “Real Junta Superior de Justiça e Governo”, que sob a presidência do conselheiro filipista José Patiño, substituía a autoridade da Generalitat e do “Consell de Cent”. No dia seguinte, José Patiño lia, diante do presidente da Generalitat, o decreto de dissolução desta:
"Havendo cessado pela entrada das armas do Rei N. S. (Q. D.G.) nesta Cidade e praça a representação da Câmara e Generalidad de Cataluña, o Excmo. Sr. Mariscal Duque de Berwick e Liria, me encarregou que ordene e mande aos deputados y ovidores de contas do General de Cataluña, que retirem todas as insígnias, cessem totalmente, assim eles como seus subalternos, no exercício de seus cargos, empregos e ofícios e entreguem as chaves, livros e tudo mais concernente a dita casa da Câmara e suas dependências...” .
Valencia e Aragão, já haviam caído em mãos da coroa castelhana. Mallorca e Eivissa seriam tomadas no ano seguinte. Pelo Tratado de Utrech (1713) Menorca foi cedida a Inglaterra , e os outros territórios da antiga coroa de Catalunha-Aragão ficaram desmembrados: Nápoles e a Sardenha passavam a submeter-se à soberania Austríaca, e a Sicília foi entregue ao Duque de Savoia.
Abolidas que foram a “Generalitat” e o “Consell de Cent”, desarmadas e extintas as forças militares catalãs, exilados, aprisionados ou condenados a morte os lideres da resistência, demolidos seus castelos, fechada a Casa da Moeda, suprimida a Universidade de Barcelona e os “Estudis Generals del Principat”, decretado o uso oficial do castelhano ao invés do catalão, a Catalunha perdia todo o poder político e era submetida a um longo processo de castelhanização.
O novo regime da Catalunha, instaurado provisoriamente em 1714, foi definitivamente estruturado pelo Real Decreto de Nova Planta em 16 de janeiro de 1716, submetido à aprovação do Conselho de Castilha. O Decreto de Nova Planta confiou o poder máximo de governo a um militar: o Capitão General , assessorado pela “Real Audiência”. A divisão territorial do Principado em “vegueries”, já mencionada no tempo de Jaume I e formalmente estabelecida em dezoito “vegueries” desde 1304, foi substituída por uma divisão em doze corregimentos e um distrito (Vall d’Aran). Contudo nem as antigas “vegueries” nem os corregimentos nem as futuras províncias refletiam as realidades humanas e geográficas da terra. Seria necessário esperar mais de dois séculos para que a organização territorial em comarcas fosse recuperada pela nova Generalitat do século XX.
Durante o reinado dos sucessores de Felipe V, Fernando VI(1746-1759) e Carlos III(1759-1788) a atenção dos catalães voltou-se para o ressurgimento cultural e econômico, favorecido pela concessão de Carlos III aos portos catalães de comercializar diretamente com a América, antes proibida. É o momento do desenvolvimento industrial da Catalunha.
A vida política porém está centrada na Corte de Madrid, de onde emana tudo o que afeta o governo da Catalunha. Se Felipe V havia eliminado o uso oficial do catalão, Carlos III, por uma “Real cédula” de 1768, o elimina do ensino primário e secundário. Estas medidas não resultaram evidentemente no total desaparecimento da língua catalã, que foi, aliás, veículo de notáveis criações literárias. Catalunha, apesar da submissão oficial à nova monarquia,não tinha perdido totalmente sua consciência nacional. Quando em 1789 se reúnem as Cortes em Madrid para o juramento do príncipe Fernando, a representação catalã apresentou-se como a “Deputação do Principado de Catalunha”, reminiscência da abolida “Generalitat”.
A Revolução Francesa atuou em certos setores da Catalunha como um golpe de vento com ares de liberdade. No momento em que a França declarou guerra à Espanha (1793) dando lugar à denominada “Guerra Grande”, a Catalunha organizou a sua defesa conta os franceses, que resultaram perdedores. Em 1795 firmava-se a paz de Basiléia com a restituição recíproca dos territórios ocupados.
O aparecimento de Napoleão Bonaparte e o envio de seu exército para a conquista da Europa envolveram novamente a Catalunha em nova guerra de defesa, apenas treze anos após finalizada a “ Guerra Grande”. Carlos IV (1788-1808) foi incapaz de enfrentar a situação e Napoleão aproveitou-se habilmente da debilidade do rei e da inexperiência de Fernando VII para ampliar seu império. A defesa do território catalão era movida, naquele momento, pela revolta contra o invasor e por sentimentos religiosos. Em meados de 1808 constituiu-se a “Junta Superior del Principat”, a qual organizou, de forma autônoma, as forças militares da defesa. Iniciou-se assim um período de guerra desoladora que deisou o pais devastado e na miséria. Napoleão tentou ganhar a simpatia de Catalunha oferecendo uma forma de autogoverno independente da coroa de José Bonaparte (1810) e decretando o catalão como língua oficial.
A junta superior do “Principat”, que havia atuado como governo num momento de emergência, foi abolida e substituída por um organismo estabelecido na Constituição de Cádiz: a deputação provincial, presidida pelo capitão general, autoridade máxima no “Principat” já que a guerra contra a ocupação francesa havia levado a um predomínio dos militares. Conforme a Constituição de Cádiz (1812), Catalunha foi dividida em províncias.
Com o absolutismo de Fernando VII, que em 1813 havia recuperado de Napoleão a coroa da Espanha, voltou-se ao regime de “corregimentos”, até que no ano de 1833, implantou-se novamente a divisão por províncias. No transcurso do século XIX, a Catalunha viu-se submetida a lutas civis, às guerras carlinas e aos confrontos entre partidos. A efêmera Primeira Republica espanhola de 1873 teve como primeiros presidentes dois catalães: Figueras e Pi i Maragall. Um golpe militar derrubou a República e restaurou a monarquia com Afonso XII (1874), sucedido por Afonso XIII sob a regência prévia de Maria Cristina (1885)
Só em 1932 com o Estatuto de Automonia é que a comunidade catalã recuperou parte das autonomias que dispunha anteriormente, nos marcos da Revolução Espanhola.
No entanto, tudo mudou com o duro regime do ditador General Franco que reprimiu fortemente a identidade catalã. Durante a ditadura morreram milhares de catalães, incluindo o Presidente do Governo da Catalunha da época, Lluís Companys, fuzilado no simbólico Castelo de Montjuic. A língua catalã foi proscrita, como todas as formas de expressão cultural catalã e seus símbolos.
Em 1979 foi aprovado um novo Estatudo de Automonia da Catalunha, lançando as bases para a formação de um Governo próprio, com a recriação da "Generalitat de Catalunya". A Catalunha hoje recupera de símbolos próprios, os símbolos da nação: uma bandeira, um dia nacional (11 de Setembro) e um hino nacional.
O significado do 11 de setembro para os catalães
O Dia Onze de Setembro é o nome da festa oficial da Catalunha (em catalão: Diada de l'Onze de Setembre, Diada Nacional de Catalunya, ou simplesmente Diada). Se celebra no 11 de setembro de cada ano. Nela se lembra a queda de Barcelona em maõs das tropas borbônicas, no dia 11 de setembro de 1714, após quatroze meses de sítio.
O Parlamento de Catalunha na sua primera lei,em 1980, aprovada pelo Parlamento da Catalunha, foi a que declara o 11 de setembro a data nacional da Catalunha nos seguintes termos:
"(...) O povo catalão, nos tempos de luta foi assinalando um dia, o onze de setembro, como a Data da Catalunha. Dia que, se bem significava uma dolorosa recordação da perda das liberdades, o onze de setembro de 1714, e uma atitude de reivindicação e resistência ativa frente a opressão, suponha também a esperança de uma total recuperação nacional.
Agora, que a Catalunha retoma o seu caminho de liberdade, os representantes do povo acreditam que a Câmara Legislativa deve sancionar aquilo que a Nação unanime já assumiu.
Por isso o povo da Catalunha estabeleceu, pelo poder do seu Parlamento, a seguinte Lei:
"Artigo primeiro. Se declara Data Nacional da Catalunha o dia onze de setembro.
Artigo segundo. Esta Lei entrará em vigor no mesmo dia da sua publicação no Diário Oficial da Generalitat de Catalunya."
"Portanto, ordeno que todos os cidadãos aos quais esta Lei seja aplicável que cooperem ao seu cumprimento e que os tribunais e autoridades aos quais pertencem façam cumpri-la.
Jordi Pujol, Presidente da Generalitat de Catalunya.
Jordi Rigol, Conselheiro de Trabalho.
Barcelona, 12 de junho de 1980."
O artigo 8.1 do Estatuto de Autonomía de 2006 declara: «Cataluña, definida como nacionalidade no artígo primeiro, tem como símbolos nacionales a bandeira, a festa e o hino». O artigo 8.3 estabelece: «A festa da Catalunha é o Dia Onze de Setembro».
Antigamente, a celebração consistia numa oração fúnebre na paróquia de Santa María do Mar. No ano de 1886, foi proibida a celebração o padre da sede de Vic, Jaume Collell, para evitar que se converte-se num comício catalanista. Ainda que o ato fosse criticado pelos catalanistas republicanos por seu caráter religioso, é considerado como a primeira comemoração da queda de Barcelona e dos catalães que murreram opondo-se a Felipe de Borboun, que eram considerados mártires da defesa das liberdades catalãs.
En 1888, coincidindo com a inauguração da Exposição Universal, se construiu em Barcelona um monumento a Rafael Casanova, que se converteria em ponto de referência dos atos reivindicativos. Em 1892, se recupera a idea do ato de recordação dos mortos, porém, desta vez, com mais denúncia dos ataques do centralismo. En 1894, além dos ofícios religiosos, se fizeram as primeiras oferendas florais no monumento. Isto provocou as autoridades que seguiram de perto as atividades, e em 1896 foi apreendido o número especial que o diario "Lo Regionalista" dedicava a "Diada".
A primeira manifestação verdadeiramente reivindicativa ante o monumento a Rafael Casanova se produziu en 1901, convocada por Lluís Marsans i Sola e as associações "Catalunya i Avant", "Lo Sometent", "Lo Renaixement", "Los Montanyenchs", "La Falç y Lo Tràngul". Depois de oferecerem uma coroa de flores se produziram enfrentamentos com a polícia, tendo como resultado 30 presos (entre eles o futuro escritor Josep Maria Folch i Torres). Dois dos presos, Lluís Manau y Josep Soronelles, fundariam "La Reixa", sociedade de ajuda aos presos catalanistas e que aderiu à "Unió Catalanista". O dia 15 de setembro de 1901, o presidente da "Unió", Manuel Folguera i Duran, convocou uma manifestação de proteste pelas detenções, na que participarão umas 12.000 perssoas.

Outra Diada especialmente reivindicativa que há que mencionar foi o 11 de setembro de 1977. Era a segunda a poder ser celebrada oficialmente, depois da morte do general Franco. Na manifestação que teve lugar nesse dia em Barcelona, participaram um milhão de pessoas reivindicando o autogoverno para a Catalunha (Foto ao lado, do ato, extraído de Wikipedia).
Nos últimos anos a Diada tem sido marcada pelos grupos defensores da independência territorial, política e econômica de Catalunha em relação a Espanha. Especialmente combativa (e reprimida) foi a de 2007 quando se queimaram retratos dos Reis da Espanha e Bandeiras espanholas e francesas; que acabaram com vários presos.
Fonte: As informações fotos foram extraídos de Catalonia, Wikipedia e do blog falascreve.blogspot.com.
No 11 de setembro já citado, acusou-se a rede terrorista Al-Quaeda pela autoria dos atentados. Não tenho certeza de que realmente foram eles. Mais ainda: não sei ao certo se eles não estavam a serviço do governo, pois vários de seus membros foram agentes da cIA contra a URSS, durante a guerra do afeganistão. E, forma a desculpa para que os EUA invadissem esse país, atrás do petróleo e gás que passam por lá, como das papoulas plantada lá, base do lucrativo negócio do ópio e heroína. E, no Iraque, fazem ataques sectários que só serviram para favorecer aos EUA, dividindo a luta contra a invasão americana. Foram usados também, para que o ex-presidente Aznar (aliado dos norte-americanos) atacasse a ETA e tentasse emplacar sua vitória eleitoral, a partir dos ataques do 11 de março no metrô de Madri (manobra que deu errado). Mas, que serviu nos EUA para ampliar a repressão interna e o desrespeito as liberdades civis. Interessante notar que o ataque teve caráter de classe: na hora do ataque só estavam no prédio trabalhadores, quase nenhum executivo de uma grande empresa.

Já no dia 11 de setemrbo de 1973, com um saldo de milhares de mortos e a conversão do Estádio Nacional num campo de concentração, ocorreu o golpe de estado contra o governo do socialista Salvador Allende no Chile. Capitaneado pelo general Pinochet, teve apoio ativo da embaixada norte-americano. O resultado final dessa ação imperialista: uma ditadura sangrenta, que destruiu as conquistas sociais e implementou o neoliberalismo até as últimas conseqüências no Chile.
Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador
Allende, em 1964. (Fonte: Wikipedia).
Mas, o 11 de se
tembro que nos interessa aqui é outro: o 11 de setembro de 1714, quando as tropas expansionistas bourbônicas destruíram a indepenência catalã, a incluindo à força no Estado Espanhol. Como a história é escrita pelos vencedores, o dia 11 de setembro é um dia im
portantíssimo de lembrança desse ataque à liberdade de um povo. Curiosamente, no Brasil, como me chamou atenção meu amigo Dirley, a reescrita da história foi incorporada nos nossos livros didáticos, onde nos mapas e na história, apresenta-se a Espanha unificada à muito mais tempo, e não se menciona esse ato de subjugação. Apaga-se por exemplo a longíqua história do Reino da Catalunya-Aragão. Releitura da história, que no mesmo sentido apagou a Revolução Espanhola nos marcos da Guerra Civil Espanhola. (ao lado esquerdo gravura do cerco militar de barcelona pelas tropas franco-castelhanas de Felipe V (março 1713 e setembro de 1714). Fonte: Catalonia; a direita, cartaz do 11 de setembro da época da Guerra Civil Espanhola).A história do 11 de setembro:
Com a Guerra de Sucessão Espanhola, a partir da morte sem descendência de Carlos II da Espanha, deu lugar a uma guerra civil na Espanha entre os partidários do austríaco Arquiduque Carlos e Felipe de Anjou (Felipe V, de España), a partir da assinatura do Tratado de Utretch que reconhecia a Felipe de Anjou como Rei de España. A Coroa do Reino de Aragão não aceitou os termos do tratado, pois em fevereiro de 1706 se havia coroado o Arquiduque Carlos em Barcelona como Carlos III da Espanha. Por isso se prestou resistência ao novo monarca, que respondeu atacando em 1713.
Em março de 1713 as tropas de Felipe V iniciaram o cerco à cidade de Barcelona. A Catalunha, ficou reduzida a duas áreas fortificadas: Barcelona e Cardona. Nessa situação desesperadora, em meados de 1713 foram convocados os “Braços Generals” (as Cortes sem o rei) para tomar uma decisão: render-se ou não.
Os braços militar-eclesiástico e os deputados da Generalitat (governo catalão), defendem a capitulação usando como justificativa a desproporção entre as forças catalãs (já sem as tropas da Grande Aliança) e as bourbonicas de Felipe V. Desta forma, desde o início do processo de domínio de castela sobre a catalunha, as elites catalães sempre foram capituladoras.Já o braço popular mostrou seu caráter combativo: votou pela resistência. Sendo assim, a Generalitat, fez um chamamento público para a defesa da cidade.
O cerco foi iniciado pelo duque de Berwick, general francês, imposto por Luis XIV (o "Rei Sol" francês) ao seu neto, Felipe V. O general Antoni de Villaroel estavam à frente das tropas catalãs.
A Catalunha via em Felipe V, corretamente, que este seria a instauração definitiva do absolutismo e do centralismo em todos os territórios conquistados. O cerco a Barcelona é visto por contemporâneos como a agressão à um povo que havia feito da liberdade o fundamento das suas instituições. Escritores da época descrevem a defesa de Barcelona como um gesto heróico admirado em toda a Europa, como séculos depois seria a defesa de Barcelona frente outras tropas absolutistas, agora fascistas, de Francisco Franco.
Dezoito meses de cerco e de lutas ferrenhas levaram a a capitulação um ano depois, em 11 de setembro de 1714: os defensores mais destacados de Barcelona, Rafael Casanova, conselheiro chefe do Conselho da cidade, e o general Antoni de Villaroel, comandante supremo das forças militares, quiseram poupar uma derrota completa da cidade e dos seus defensores. Ao lado, quadro de Antoni Estruch Lonze de setembre de 1714 (Fonte: blog falaescreve).Em 15 de setembro de 1714, o Duque de Berwick assinou a nomeação da “Real Junta Superior de Justiça e Governo”, que sob a presidência do conselheiro filipista José Patiño, substituía a autoridade da Generalitat e do “Consell de Cent”. No dia seguinte, José Patiño lia, diante do presidente da Generalitat, o decreto de dissolução desta:
"Havendo cessado pela entrada das armas do Rei N. S. (Q. D.G.) nesta Cidade e praça a representação da Câmara e Generalidad de Cataluña, o Excmo. Sr. Mariscal Duque de Berwick e Liria, me encarregou que ordene e mande aos deputados y ovidores de contas do General de Cataluña, que retirem todas as insígnias, cessem totalmente, assim eles como seus subalternos, no exercício de seus cargos, empregos e ofícios e entreguem as chaves, livros e tudo mais concernente a dita casa da Câmara e suas dependências...” .
Valencia e Aragão, já haviam caído em mãos da coroa castelhana. Mallorca e Eivissa seriam tomadas no ano seguinte. Pelo Tratado de Utrech (1713) Menorca foi cedida a Inglaterra , e os outros territórios da antiga coroa de Catalunha-Aragão ficaram desmembrados: Nápoles e a Sardenha passavam a submeter-se à soberania Austríaca, e a Sicília foi entregue ao Duque de Savoia.
Abolidas que foram a “Generalitat” e o “Consell de Cent”, desarmadas e extintas as forças militares catalãs, exilados, aprisionados ou condenados a morte os lideres da resistência, demolidos seus castelos, fechada a Casa da Moeda, suprimida a Universidade de Barcelona e os “Estudis Generals del Principat”, decretado o uso oficial do castelhano ao invés do catalão, a Catalunha perdia todo o poder político e era submetida a um longo processo de castelhanização.
O novo regime da Catalunha, instaurado provisoriamente em 1714, foi definitivamente estruturado pelo Real Decreto de Nova Planta em 16 de janeiro de 1716, submetido à aprovação do Conselho de Castilha. O Decreto de Nova Planta confiou o poder máximo de governo a um militar: o Capitão General , assessorado pela “Real Audiência”. A divisão territorial do Principado em “vegueries”, já mencionada no tempo de Jaume I e formalmente estabelecida em dezoito “vegueries” desde 1304, foi substituída por uma divisão em doze corregimentos e um distrito (Vall d’Aran). Contudo nem as antigas “vegueries” nem os corregimentos nem as futuras províncias refletiam as realidades humanas e geográficas da terra. Seria necessário esperar mais de dois séculos para que a organização territorial em comarcas fosse recuperada pela nova Generalitat do século XX.
Durante o reinado dos sucessores de Felipe V, Fernando VI(1746-1759) e Carlos III(1759-1788) a atenção dos catalães voltou-se para o ressurgimento cultural e econômico, favorecido pela concessão de Carlos III aos portos catalães de comercializar diretamente com a América, antes proibida. É o momento do desenvolvimento industrial da Catalunha.
A vida política porém está centrada na Corte de Madrid, de onde emana tudo o que afeta o governo da Catalunha. Se Felipe V havia eliminado o uso oficial do catalão, Carlos III, por uma “Real cédula” de 1768, o elimina do ensino primário e secundário. Estas medidas não resultaram evidentemente no total desaparecimento da língua catalã, que foi, aliás, veículo de notáveis criações literárias. Catalunha, apesar da submissão oficial à nova monarquia,não tinha perdido totalmente sua consciência nacional. Quando em 1789 se reúnem as Cortes em Madrid para o juramento do príncipe Fernando, a representação catalã apresentou-se como a “Deputação do Principado de Catalunha”, reminiscência da abolida “Generalitat”.
A Revolução Francesa atuou em certos setores da Catalunha como um golpe de vento com ares de liberdade. No momento em que a França declarou guerra à Espanha (1793) dando lugar à denominada “Guerra Grande”, a Catalunha organizou a sua defesa conta os franceses, que resultaram perdedores. Em 1795 firmava-se a paz de Basiléia com a restituição recíproca dos territórios ocupados.
O aparecimento de Napoleão Bonaparte e o envio de seu exército para a conquista da Europa envolveram novamente a Catalunha em nova guerra de defesa, apenas treze anos após finalizada a “ Guerra Grande”. Carlos IV (1788-1808) foi incapaz de enfrentar a situação e Napoleão aproveitou-se habilmente da debilidade do rei e da inexperiência de Fernando VII para ampliar seu império. A defesa do território catalão era movida, naquele momento, pela revolta contra o invasor e por sentimentos religiosos. Em meados de 1808 constituiu-se a “Junta Superior del Principat”, a qual organizou, de forma autônoma, as forças militares da defesa. Iniciou-se assim um período de guerra desoladora que deisou o pais devastado e na miséria. Napoleão tentou ganhar a simpatia de Catalunha oferecendo uma forma de autogoverno independente da coroa de José Bonaparte (1810) e decretando o catalão como língua oficial.
A junta superior do “Principat”, que havia atuado como governo num momento de emergência, foi abolida e substituída por um organismo estabelecido na Constituição de Cádiz: a deputação provincial, presidida pelo capitão general, autoridade máxima no “Principat” já que a guerra contra a ocupação francesa havia levado a um predomínio dos militares. Conforme a Constituição de Cádiz (1812), Catalunha foi dividida em províncias.
Com o absolutismo de Fernando VII, que em 1813 havia recuperado de Napoleão a coroa da Espanha, voltou-se ao regime de “corregimentos”, até que no ano de 1833, implantou-se novamente a divisão por províncias. No transcurso do século XIX, a Catalunha viu-se submetida a lutas civis, às guerras carlinas e aos confrontos entre partidos. A efêmera Primeira Republica espanhola de 1873 teve como primeiros presidentes dois catalães: Figueras e Pi i Maragall. Um golpe militar derrubou a República e restaurou a monarquia com Afonso XII (1874), sucedido por Afonso XIII sob a regência prévia de Maria Cristina (1885)
Só em 1932 com o Estatuto de Automonia é que a comunidade catalã recuperou parte das autonomias que dispunha anteriormente, nos marcos da Revolução Espanhola.
No entanto, tudo mudou com o duro regime do ditador General Franco que reprimiu fortemente a identidade catalã. Durante a ditadura morreram milhares de catalães, incluindo o Presidente do Governo da Catalunha da época, Lluís Companys, fuzilado no simbólico Castelo de Montjuic. A língua catalã foi proscrita, como todas as formas de expressão cultural catalã e seus símbolos.
Em 1979 foi aprovado um novo Estatudo de Automonia da Catalunha, lançando as bases para a formação de um Governo próprio, com a recriação da "Generalitat de Catalunya". A Catalunha hoje recupera de símbolos próprios, os símbolos da nação: uma bandeira, um dia nacional (11 de Setembro) e um hino nacional.
O significado do 11 de setembro para os catalães
O Dia Onze de Setembro é o nome da festa oficial da Catalunha (em catalão: Diada de l'Onze de Setembre, Diada Nacional de Catalunya, ou simplesmente Diada). Se celebra no 11 de setembro de cada ano. Nela se lembra a queda de Barcelona em maõs das tropas borbônicas, no dia 11 de setembro de 1714, após quatroze meses de sítio.
O Parlamento de Catalunha na sua primera lei,em 1980, aprovada pelo Parlamento da Catalunha, foi a que declara o 11 de setembro a data nacional da Catalunha nos seguintes termos:
"(...) O povo catalão, nos tempos de luta foi assinalando um dia, o onze de setembro, como a Data da Catalunha. Dia que, se bem significava uma dolorosa recordação da perda das liberdades, o onze de setembro de 1714, e uma atitude de reivindicação e resistência ativa frente a opressão, suponha também a esperança de uma total recuperação nacional.
Agora, que a Catalunha retoma o seu caminho de liberdade, os representantes do povo acreditam que a Câmara Legislativa deve sancionar aquilo que a Nação unanime já assumiu.
Por isso o povo da Catalunha estabeleceu, pelo poder do seu Parlamento, a seguinte Lei:
"Artigo primeiro. Se declara Data Nacional da Catalunha o dia onze de setembro.
Artigo segundo. Esta Lei entrará em vigor no mesmo dia da sua publicação no Diário Oficial da Generalitat de Catalunya."
"Portanto, ordeno que todos os cidadãos aos quais esta Lei seja aplicável que cooperem ao seu cumprimento e que os tribunais e autoridades aos quais pertencem façam cumpri-la.
Jordi Pujol, Presidente da Generalitat de Catalunya.
Jordi Rigol, Conselheiro de Trabalho.
Barcelona, 12 de junho de 1980."
O artigo 8.1 do Estatuto de Autonomía de 2006 declara: «Cataluña, definida como nacionalidade no artígo primeiro, tem como símbolos nacionales a bandeira, a festa e o hino». O artigo 8.3 estabelece: «A festa da Catalunha é o Dia Onze de Setembro».
Antigamente, a celebração consistia numa oração fúnebre na paróquia de Santa María do Mar. No ano de 1886, foi proibida a celebração o padre da sede de Vic, Jaume Collell, para evitar que se converte-se num comício catalanista. Ainda que o ato fosse criticado pelos catalanistas republicanos por seu caráter religioso, é considerado como a primeira comemoração da queda de Barcelona e dos catalães que murreram opondo-se a Felipe de Borboun, que eram considerados mártires da defesa das liberdades catalãs.
En 1888, coincidindo com a inauguração da Exposição Universal, se construiu em Barcelona um monumento a Rafael Casanova, que se converteria em ponto de referência dos atos reivindicativos. Em 1892, se recupera a idea do ato de recordação dos mortos, porém, desta vez, com mais denúncia dos ataques do centralismo. En 1894, além dos ofícios religiosos, se fizeram as primeiras oferendas florais no monumento. Isto provocou as autoridades que seguiram de perto as atividades, e em 1896 foi apreendido o número especial que o diario "Lo Regionalista" dedicava a "Diada".
A primeira manifestação verdadeiramente reivindicativa ante o monumento a Rafael Casanova se produziu en 1901, convocada por Lluís Marsans i Sola e as associações "Catalunya i Avant", "Lo Sometent", "Lo Renaixement", "Los Montanyenchs", "La Falç y Lo Tràngul". Depois de oferecerem uma coroa de flores se produziram enfrentamentos com a polícia, tendo como resultado 30 presos (entre eles o futuro escritor Josep Maria Folch i Torres). Dois dos presos, Lluís Manau y Josep Soronelles, fundariam "La Reixa", sociedade de ajuda aos presos catalanistas e que aderiu à "Unió Catalanista". O dia 15 de setembro de 1901, o presidente da "Unió", Manuel Folguera i Duran, convocou uma manifestação de proteste pelas detenções, na que participarão umas 12.000 perssoas.

Outra Diada especialmente reivindicativa que há que mencionar foi o 11 de setembro de 1977. Era a segunda a poder ser celebrada oficialmente, depois da morte do general Franco. Na manifestação que teve lugar nesse dia em Barcelona, participaram um milhão de pessoas reivindicando o autogoverno para a Catalunha (Foto ao lado, do ato, extraído de Wikipedia).
Nos últimos anos a Diada tem sido marcada pelos grupos defensores da independência territorial, política e econômica de Catalunha em relação a Espanha. Especialmente combativa (e reprimida) foi a de 2007 quando se queimaram retratos dos Reis da Espanha e Bandeiras espanholas e francesas; que acabaram com vários presos.
Fonte: As informações fotos foram extraídos de Catalonia, Wikipedia e do blog falascreve.blogspot.com.
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